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17/08/2005 02:30

Obrigado por me enlouquecer.
Jamila Casimiro.
Meu sorriso tah ficando triste novamente...
A pilha esta acabando.
Dessa vez acho que será mais dificil carregar.
É preciso correr, pra longe, fugir dos monstros que moram tão perto.
Porque jamais poderei matá-los.
E eles abrem as portas, caminham pela minha sala.
Eles não me olham nos olhos. Mas fuzilam meu peito.
Eles me ligam no celular.
E desligam na minha cara. Só pra ver meu peito dilacerado.
E eu choro.
Só você últimamente tem me feito chorar.
Logo você que seria o meu colo.
Vc nunca gostou quando eu pedia pra deitar no seu colo.
E mesmo assim eu encostava minha cabeça na tua perna
Lembra? Quando eu só durmia no seu colo.
Nem que fosse por cinco minutos, bêbada de sono.
Depois na sua barriga grávida.
Quando sua barriga sumiu vc foi embora também.
Ainda me lembro da luz do abajour.
E da televisão com caixa de madeira.
E do sofá de chelini verde.
Vc sentava ali, me colocava entre suas pernas
E fazia sempre as mesmas trancinhas no meu cabelo.
Por quase 14 anos.
Aprendi a dormir sozinha no sofá.
Até hoje, preciso fazer isso.
E vc sempre me dá uma bronca.
Penteio meus cabelos. Eles nunca ficam bons.
Hoje eles mudam a cada quinze dias.
E todos os dias eu olho para você.
E queria escutar espontaneamente que você me ama.
Mas ele nunca vem.
Olha: fica tranquila. Eu aprendi a dizer eu te amo.
E quando dói muito saber que você não vai me dizer.
Eu pergunto, mesmo sabendo que nunca terá o mesmo gosto.
E que fica a cada dia mais distânte.
Obrigada por tudo.
Obrigada por me ajudar a cair.
Por não entender meus medos.
Por não participar da minha vida.
Por não saber dos meus horários.
Por não querer ver os meus amores.
Por me ensinar a me virar sozinha.
Por sermos almas tão avessas.
Por não me olhar nos olhos quando ainda bato a cabeça nisso tudo.
Por me ensinar a amar a falta de amor.
Por me internar dentro de mim.
Obrigada.
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teatro
Feique - em algum lugar, porém, aqui
Grupo Verve comemora 10 anos e estréia espetáculo sublime em São Paulo
Por Ferdinando Martins
Fonte: www.mixbrasil.com.br
Reconhecida por trilhar os caminhos da experimentação, a Verve Companhia de Dança apresenta a estréia nacional do seu quinto espetáculo Feique em algum lugar, porém, aqui. Serão apenas três apresentações no Teatro do SESC Vila Mariana, nos dias 19, 20 e 21 de agosto. Com o espetáculo que faz parte da Mostra SESC de Artes Mediterrâneo, a companhia paranaense comemora seu décimo aniversário. São seis intérpretes (cinco bailarinos e um músico) que dividem o palco e se relacionam em cena, construindo personagens que vivem numa linha tênue da exclusão social.
A concepção e direção coreográfica do espetáculo são de Fernando Nunes que contou com a assistência de Mariusa Bregoli que também integra o corpo de intérpretes-criadores ao lado de Austin Andrade, Pedro Paulo Abudi, Ryan Lebrão e Diego Oliveira. A concepção musical e a performance no palco são de Chris Vine.
O espetáculo, com sua estrutura não-linear e fragmentada, permite que o público complete as informações da leitura da obra com seu próprio background sem perder a idéia central da estrutura poética. Para o diretor Fernando Nunes, Feique fala das nossas experiências que se acumulam desde a infância, produzindo no cérebro memórias que calibram nossas diferentes percepções do mundo. Estas informações entram fragmentadas e são compartilhadas por meio das conexões cerebrais, construindo uma idéia de todo, uma idéia de Eu, uma imagem virtual do mundo. Um mundo fake, explica, utilizando a palavra em inglês que significa falso.
Depois da estréia nacional em São Paulo, o espetáculo faz duas apresentações em cidades do interior do estado: No dia 25 de agosto, apresenta-se no Teatro do SESC São José do Rio Preto e no dia 27 no SESC Santos.
Feique se realiza em um espaço onde tudo se passa, como numa rua. Um muro formado por sua estrutura vertical se alonga quase dividindo o palco ao meio, delimitando o espaço para atuação dos intérpretes. O tom sépia predomina em quase todos os objetos, paredes, bancos, mesa e cria um espaço psicológico que remete os espectadores à lembranças de experiências vividas.
A pesquisa e concepção de Feique formaram-se a partir de improvisações e foram evoluindo no processo de trabalho, constituindo células de construções dramáticas que possibilitaram os primeiros sedimentos, os quais foram chamados de frases. Há momentos que iniciaram concretos, com personagens definidos que foram transformando-se em versões abstratas sem perder seu conteúdo e objetivo original. As frases que amadureceram, e se tornaram evidentes, foram repetidas e novamente alimentadas até se tornarem parágrafos. Estes parágrafos foram sendo reelaborados e aprofundados para se tornarem capítulos. Consideram-se capítulos neste processo de trabalho, uma etapa de maturidade de todo processo de pesquisa, resultado de variações mecânicas e psicológicas que se transformaram em coreografias, onde começo, meio e fim são constantemente colocados em avaliação. A estrutura não-linear e fragmentada possibilitará ao público complementar as informações da leitura da obra com seu próprio background, sem perder a idéia central da estrutura poética.
Fundada por seu diretor, o designer, artista plástico e fotógrafo Fernando Nunes, a Verve Cia de Dança completa em 2005 seu décimo aniversário. As composições do grupo são pesquisas compartilhadas entre direção coreográfica e intérpretes criadores que investigam o corpo e seu conseqüente reflexo sobre o meio. Seus temas podem trafegar entre o interior do Brasil ao urbano tecnológico, de reflexões sociais a pura ironia, percorrendo permanentemente os caminhos e riscos da experimentação. Na história da companhia, espetáculos importantes como Truveja Pra Nóis Chorá (1999) e (C2h4)n-Plástico (2001). A Verve já tem agendados para 2006 espetáculos em palcos do México, do Panamá e Venezuela.
Feique Em algum lugar, porém, aqui
Sesc Vila Mariana
R. Pelotas, 141 - Vila Mariana
Fone: (11) 5080-3000
Sex. e Sáb.: 21h. Dom.: 18h.
Ingressos: R$ 7,50 a R$ 15
enviada por Sofie
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